sábado, 21 de junho de 2014

Resenha: Live by Night (Os Filhos da Noite)

 "Tinha dito ao filho recentemente que a vida era sorte. Mas a vida , como ele passara a perceber à medida que envelhecia, era também memória. A recordação de alguns momentos muitas vezes se mostrava mais rica do que os momentos em si"


Lehane e a construção de um anti-herói no mundo da máfia... o que o personagem de Joe Coughlin fez foi épico, mas ele pode ser considerado um gangster, um grande chefe do mundo sujo da máfia? Ou apenas alguém que sabe viver e apreciar a noite?


Meu exemplar, bela capa produzida pela companhia das letras.

"Os Filhos da Noite" faz parte da trilogia dos irmãos Coughlin, é o segundo livro que conta sobre a ascensão de Joe no mundo da máfia das bebidas, já que boa parte da história se passa na época da Lei Seca. Os desafios, as paixões e provações que fez do jovem garoto apaixonado pela noite virar uma lenda da máfia. Não é necessário ler o primeiro livro da trilogia, com o título de "Naquele Dia". Que  é extenso e tem quase o dobro número de páginas, tem o irmão Danny Coughlin como protagonista e cita Joe poucas vezes, falando da sua infância e de seu começo no mundo sujo (ou não) de Boston com pequenos furtos.

Voltando a falar de "Os Filhos da Noite", o livro tem uma história digna de Hollywood, com os famosos clichês de filme de máfia, característica  rara no livro de Lehane.  O que chamou atenção de Ben Affleck, o americano já comprou os direitos autorais do livro e vai adapta-lo para o cinema com previsão de estreia é em 2016.
 

Joseph Coughlin, ou Joe como gosta de ser chamado sempre teve problemas com o seu pai, um dos policiais mais respeitados de Boston. Ainda jovem, Joe foge de casa vivendo do que ganhava roubando pessoas e saqueando lojas. Em um dos seus furtos conhece Emma Gold, os dois vivem uma paixão intensa, porém ela é amante do maior gangster de Boston.... ae já viu né. Uma série de acontecimentos ocorre, até que é a vez de Joe assumir o posto de gangster mais respeitado de Boston e isso é só o começo.

Joe é caracterizado por ser um gangster de bom coração, não estou falando de sentimentos de amor por uma mulher, constituir uma família, até porque isso é comum no mundo da máfia. Falo de sentimentos que envolve os negócios, ter receio ou compaixão na hora executar uma vitima sem motivos, ou não executar sabendo que ela está certa por exemplo. Sentimentos que acabam prejudicando assim seus negócios, e vamos combinar... gangster de coração bom não é gangster de verdade, além de tudo só se fode.

"Nucky" Thompson, 


Quem assisti Boardwalk Empire logo irá lembrar de "Nucky" Thompson, outro gangster que viveu o auge da Lei Seca, sentimentalista e pelo qual (tenho quase certeza) Lehane se inspirou para criar o personagem de Joe. 

Os benefícios que saíram da Lei Seca foram: A Era do jazz, que  floresceu como nunca; a libertação das mulheres, as mulheres de repente cruzaram seus limites;  senso de identidade e de libertação; as pessoas diziam: "Sinto muito, não vamos fazer isso." foi uma desobediência civil em escala nacional. Mas por outro lado, a Lei Seca também foi negativa para os Estados Unidos, gerando poder ao crime organizado, mesmo com o fim da proibição das bebidas, infelizmente as drogas forneceram ainda mais poder para o crime.

Enfim, o livro é ótimo a leitura é super recomendada e proporciona vários momentos épicos, passando pelo ano de 1920 até 1942. Do South Boston até Tampa e Havana onde a produção de tabaco estava em pleno funcionamento. A leitura também é um convite a apreciação da noite, os bares clandestinos em porões ou casas abandonadas, tomados pelo som do jazz. No final a história me deixou com essa duvida, um gangster bastante sentimentalista, é um gangster de verdade? Ainda tem o terceiro livro,  que deve responder a todas as perguntas (espero).

Um brinde a Lehane com um copo de rum!




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